No dia da morte de Bryan, a 3 de Junho de 1999, sua esposa Bobbie e seu filho Bryan estão a seu lado. A foto recente de pai e filho está na cama, entre as mãos de Bryan.
[Foto da Times: V. Jane Windsor] 



Bryan Curtis começou fumando aos 13 anos, nunca imaginando que apenas 20 anos depois isso iria levá-lo à morte, deixando para trás mulher e filho. Nas suas últimas semanas de vida, ele deixou uma mensagem para os jovens.

  SUE LANDRY
  © St. Petersburg Times, publicado em 15 de Junho de 1999

 

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Bryan Lee Curtis, 33 anos, abraça seu filho Bryan Jr. nessa foto de 29 de Março de 1999. Curtis morreria cerca de dois meses depois.
[Foto: Família Curtis]


S. PETERSBURGO - Fumo de cigarro paira no ar no quarto onde Bryan Lee Curtis agoniza, devido a câncer do pulmão.

Sua cabeça, sem cabelo devido à quimioterapia, descansa em uma almofada. Os ossos do rosto e dos ombros se vêem claramente sob sua pele esticada. Seus olhos estão abertos mas ele já não responde à mãe ou à esposa, Bobbie, que se casou com ele em uma cerimônia discreta nesse quarto 3 semanas antes, depois de os médicos terem dito que não havia qualquer esperança.

Nas mãos de Bryan, Bobbie colocou uma fotografia tirada apenas 2 meses antes. Mostra um Bryan musculado e aparentemente saudável, abraçando seu filho de 2 anos, Bryan Jr. Nessa foto, ele tem 33 anos. Fez 34 em 10 de Maio.

Um maço de cigarros e um isqueiro repousam na mesa perto da cama de Bryan, na sala de sua mãe. Apesar de o tabaco ter provocado o câncer que se espalhou por seus pulmões e fígado, Bryan fumou até à semana anterior, altura a partir da qual isso se tornou impossível.

Do outro lado do quarto, uma sobrinha de 20 anos de idade apaga um cigarro num grande cinzeiro, onde a ponta se junta a dezenas de outras. Bobbie Curtis diz que ela vai tentar parar de fumar depois do funeral mas agora é difícil demais. O mesmo se passa com a mãe de Bryan, Louise Curtis.

"Não consigo fazer isso agora", diz ela, apesar de ter esperança de conseguir depois do funeral.

Bryan sabia como é difícil deixar de fumar, mas quando soube que ia morrer devido a seu hábito, ele pensou que talvez conseguisse persuadir pelo menos algumas crianças a não fumarem aquele primeiro cigarro. Talvez se eles vissem suas maçãs do rosto recolhidas, como lhe era difícil respirar e seu corpo enfraquecido, isso pudesse assustá-las o suficiente.

Assim, um homem cuja vida havia sido completamente banal embarcou, em suas últimas semanas de vida, em uma missão.

* * *

Bryan começou fumando quando tinha apenas 13 anos, fumando cada vez mais até chegar a mais de dois maços por dia. Ele falava em deixar de fumar mas nunca tentou seriamente.

Tenho muito tempo para deixar de fumar, ele pensou. As pessoas mais velhas apanham câncer; isso não acontece aos fumantes de trinta e poucos anos de idade, pessoas saudáveis e musculadas."

Ele não tinha seguro de saúde. Estava mais preocupado com sua mãe, de 57 anos, que fumava desde os 25.

Ele dizia "Mãe, não se preocupe comigo. Se preocupe com você. Eu sou saudável", se lembra Louise Curtis. "As pessoas julgam que essas coisas só acontecem mais tarde, aos 60 ou 70, não com esta idade".

Ele sabia, apenas alguns dias após ter ido para o hospital, em 2 de Abril, com dores abdominais muito fortes, que algo estava muito mal. Descobriu que tinha câncer do pulmão, que havia se espalhado já para o fígado. Esse câncer não tinha muito tempo. Também chamado câncer de células pequenas, é um assassino agressivo que normalmente reclama suas vítimas ao fim de poucos meses.

Apesar de os Curtis pensarem de maneira diferente, o Dr. Jeffrey Paonessa, oncologista de Bryan, disse que via cada vez mais câncer do pulmão em jovens adultos.

"Temos visto câncer do pulmão cada vez em pessoas mais jovens, porque as pessoas cada vez começam fumando mais cedo", disse Paonessa. A quimioterapia atrasa o processo algumas vezes mas teve muito pouco efeito no caso de Bryan.

Bryan também soube, alguns dias após o terrível diagnóstico, que queria conseguir salvar nem que fosse uma criança, de qualquer jeito, do mesmo destino que ele. Falou com seu filho Bryan Jr. e sua filha de 9 anos, Amber, que já havia sido pega uma vez com um cigarro. No entanto, ele queria fazer mais. De alguma maneira, sua história tinha que ser conhecida.

Quando ainda tinha alguma força para conseguir sair de casa, as crianças ficavam olhando fixamente para ele.

"Eles olhavam para ele porque seu aspecto era muito estranho", diz Louise Curtis. "Ele então se virava para as crianças e dizia "isso é o que acontece quando fumamos"".

"As crianças então diziam "não posso acreditar"", diz ainda Louise.
 

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Louise Curtis, fumante há 32 anos, chora o filho que lhe disse para se preocupar consigo própria e não com ele.
[Foto da Times:V. Jane Windsor]

Nas últimas semanas, a mãe de Bryan foi o agente de sua missão em conseguir algo de bom no meio dessa tragédia. Ela falou com jornais, rádio e televisão, em busca de alguém que tivesse vontade de publicar a história de seu filho e lhe fazer a última vontade antes de morrer. Bryan nunca chegou a contar sua história ao público. Falou pela última vez uma hora antes da visita de um jornalista e fotógrafo da Times.

"Estou demasiado fraco. Não consigo lutar mais", murmurou ele a sua mãe às 9h do dia 3 de Junho. Faleceu nesse dia, às 11h56, apenas 9 semanas depois do diagnóstico.

Bryan Lee Curtis Sr. foi enterrado no Memorial Park Cemetery em S. Petersburgo a 8 de Junho, num dia de nuvens em que ameaçava chover.

No velório, que teve lugar na Casa Funerária Blount, Curry and Roel Funeral Home, o caixão foi aberto e 50 amigos e familiares puderam ver os efeitos devastadores do câncer.

O vício é mais poderoso.

Depois do funeral, uma mão cheia de familiares se afastou do local da campa, pegaram em seus maços de cigarros e acenderam um cigarro cada um.

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Depois do funeral, a 8 de Junho, essa amiga e um punhado de familiares acenderam cigarros.
[Foto da Times: V. Jane Windsor]

 

 

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