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S. PETERSBURGO - Fumo de cigarro paira no ar no quarto
onde Bryan Lee Curtis agoniza, devido a câncer do pulmão.
Sua cabeça, sem cabelo devido à quimioterapia, descansa em uma almofada.
Os ossos do rosto e dos ombros se vêem claramente sob sua pele esticada. Seus olhos
estão abertos mas ele já não responde à mãe ou à esposa, Bobbie, que se casou com ele em uma cerimônia
discreta nesse quarto 3 semanas antes, depois de os médicos terem dito que não havia qualquer
esperança.
Nas mãos de Bryan, Bobbie colocou uma fotografia
tirada apenas 2 meses antes. Mostra um Bryan musculado e aparentemente saudável, abraçando seu
filho de 2 anos, Bryan Jr. Nessa foto, ele tem 33 anos. Fez 34 em 10 de Maio.
Um maço de cigarros e um isqueiro repousam na mesa perto da
cama de Bryan, na sala de sua mãe. Apesar de o tabaco ter provocado o câncer que se
espalhou por seus pulmões e fígado, Bryan fumou até à semana anterior, altura a partir da qual isso
se tornou impossível.
Do outro lado do quarto, uma sobrinha de 20 anos de idade apaga
um cigarro num grande cinzeiro, onde a ponta se junta a dezenas de outras. Bobbie Curtis diz que ela
vai tentar parar de fumar depois do funeral mas agora é difícil demais. O mesmo se passa com a mãe
de Bryan, Louise Curtis.
"Não consigo fazer isso agora", diz ela, apesar de ter
esperança de conseguir depois do funeral.
Bryan sabia como é difícil deixar de fumar, mas quando soube
que ia morrer devido a seu hábito, ele pensou que talvez conseguisse persuadir pelo menos algumas
crianças a não fumarem aquele primeiro cigarro. Talvez se eles vissem suas maçãs do rosto
recolhidas, como lhe era difícil respirar e seu corpo enfraquecido, isso pudesse assustá-las o
suficiente.
Assim, um homem cuja vida havia sido completamente banal
embarcou, em suas últimas semanas de vida, em uma missão.
* * *
Bryan começou fumando quando tinha apenas 13 anos, fumando
cada vez mais até chegar a mais de dois maços por dia. Ele falava em deixar de fumar
mas nunca tentou seriamente.
Tenho muito tempo para deixar de fumar, ele pensou. As pessoas
mais velhas apanham câncer; isso não acontece aos fumantes de trinta e poucos anos de idade,
pessoas saudáveis e musculadas."
Ele não tinha seguro de saúde. Estava mais preocupado com sua
mãe, de 57 anos, que fumava desde os 25.
Ele dizia "Mãe, não se preocupe comigo. Se preocupe com você.
Eu sou saudável", se lembra Louise Curtis. "As pessoas julgam que essas coisas só acontecem mais tarde,
aos 60 ou 70, não com esta idade".
Ele sabia, apenas alguns dias após ter ido para o hospital,
em 2 de Abril, com dores abdominais muito fortes, que algo estava muito mal. Descobriu que tinha
câncer do pulmão, que havia se espalhado já para o fígado. Esse câncer não tinha muito tempo. Também
chamado câncer de células pequenas, é um assassino agressivo que normalmente reclama suas vítimas
ao fim de poucos meses.
Apesar de os Curtis pensarem de maneira diferente, o Dr.
Jeffrey Paonessa, oncologista de Bryan, disse que via cada vez mais câncer do pulmão em jovens
adultos.
"Temos visto câncer do pulmão cada vez em pessoas mais jovens,
porque as pessoas cada vez começam fumando mais cedo", disse Paonessa. A quimioterapia atrasa o
processo algumas vezes mas teve muito pouco efeito no caso de Bryan.
Bryan também soube, alguns dias após o terrível diagnóstico,
que queria conseguir salvar nem que fosse uma criança, de qualquer jeito, do mesmo destino
que ele. Falou com seu filho Bryan Jr. e sua filha de 9 anos, Amber, que já havia sido pega
uma vez com um cigarro. No entanto, ele queria fazer mais. De alguma maneira, sua história tinha
que ser conhecida.
Quando ainda tinha alguma força para conseguir sair de casa,
as crianças ficavam olhando fixamente para ele.
"Eles olhavam para ele porque seu aspecto era muito estranho",
diz Louise Curtis. "Ele então se virava para as crianças e dizia "isso é o que acontece quando fumamos"".
"As crianças então diziam "não posso acreditar"", diz ainda
Louise. |