De qualquer modo, convém saber que cerca de oito vezes mais americanos morrem de
doenças relacionadas com o tabaco todos os anos do que em todos os 11 anos de envolvimento na guerra
do Vietnã; vinte vezes o número de mortes causadas por acidentes devidos a excesso de álcool
por ano e vinte e cinco vezes o número de mortos pela AIDS.
As mortes devidas ao tabaco mencionadas antes não incluem óbitos em incêndios
provocados por fumantes ou mortes por doenças do coração, sangue e pulmões, que foram potenciadas
pelo uso do tabaco mas cuja causa constante da certidão de óbito não foi o tabaco.
É estranho verificar que mesmo sendo conhecida esta mortandade, não se fala assim tantas
vezes deste assunto nos mídia. Muitos milhares de crianças estão - enquanto escrevo esse
livro - fumando seu primeiro cigarro, o primeiro de talvez centenas de milhares que virão ao longo
de suas vidas tragicamente condenadas a ser encurtadas.
O livro não divaga sobre os malefícios do tabaco nem sobre como parar a promoção e venda
legal da droga mais letal do mundo (bem mais letal do que qualquer outra droga, veja bem). O que ele
aborda é a forma de você sair, se dissociar da necessidade de fumar e da atração que isso
representa para você nesse momento.
Na realidade, o método para modificar seu hábito, explicado nestas páginas, não é exclusivo do
tabaco; pode ser usado para travar virtualmente qualquer hábito ou vício de qualquer natureza. O
problema não está na substância mas no "hábito" de usá-la.
Sem o hábito ou vício, o tabaco não tem poder por si mesmo. É tão inofensivo e
insignificante como qualquer outra variedade de erva de jardim. A percepção subconsciente que temos
da droga é o que torna essa droga tão perigosa. Se ilustra neste livro um método através do qual você
pode mudar permanentemente essa percepção, sem "lutar contra a abstinência" ou deixar de fumar "com
muita força de vontade" (quantas vezes já ouviu ou disse essa frase?).
Fumar é um hábito. Os hábitos são criados por comportamentos repetitivos e são construídos
(consolidados, se preferir) ao longo de um certo período. Se fôssemos computadores, nossos hábitos
se chamariam "programas".
Remover um programa de um computador é um processo mecânico simples; removê-lo de um ser
humano não é assim tão simples mas não deixa de ser um processo mecânico perfeitamente possível.
Cada um requer uma seqüência de ações que, executadas em uma determinada sequência, com atenção e
determinação, produzem o efeito desejado.
Quando falo em determinação, não falo em resistir ao hábito nem enfrentar qualquer provação
fanática que implique adotar comportamentos dinâmicos ou estranhos. Verá que o processo, por
estranho que pareça, não é tão árduo como instalar o hábito (começar fumando). Quando aprendemos
a fumar, temos que vencer a resistência natural de nosso corpo a respirar uma substância tóxica;
temos o desejo ardente de ultrapassar as defesas do corpo, para conseguirmos manter o processo em
curso.
Reverter esse hábito, apesar de talvez um pouco mais complexo, faz com que nos encaminhemos na
direção da saúde e do bem-estar de nosso corpo, não na direção oposta. Daí que acabar com o hábito
é natural; é na realidade mais fácil e muito menos doloroso do que foi começá-lo.
Vamos começar por uma pergunta simples e direta: você quer mesmo deixar de fumar?
A pergunta seguinte deve ser: está preparado para fazê-lo agora? Se a resposta a ambas as
perguntas for "sim", leia o resto do livro e faça o que ele lhe diz para fazer. Acredite que vai
funcionar. Eu usei esse método e me libertei de 16 anos de vício do tabaco. Não tenho agora qualquer
desejo por cigarros.
Tentei deixar através da força de vontade 3 vezes, antes de criar o método. Dessas vezes,
não consegui ficar sem fumar mais do que alguns dias, no máximo uma semana. Descobri que não
conseguia quebrar o hábito simplesmente negando-o. Dizer "não" quando meu corpo e minha mente
estavam me pedindo um cigarro era ridículo.
Mesmo quando conseguia não fumar durante umas horas ou dias, esse fato ocupava grande
parte de meu pensamento consciente. Descobri que ficava irritado, roía minhas unhas e estava com fome
o dia inteiro. Quando me apercebi de que tinha de trabalhar com meu corpo e minha mente e não contra
eles, soube que estava caminhando na direção certa.
Se você quer acabar com sua escravatura de um produto que já não deseja comprar nem usar,
se quer melhorar sua qualidade de vida, então use esse pequeno livro como a chave para sua porta
de saída. Esse método funciona. Ele funcionará para todos os que sinceramente queiram usá-lo.
Tudo o que necessita é dar um pouco de atenção ao livro e seguir o método.
O título do livro fala em deixar de fumar sem força de vontade. Isso não significa que não
seja necessário executar os passos simples do processo, que não incluem resistir a fumar. De fato,
você vai ser encorajado a fumar de cada vez que quiser. Este sistema não foi criado para fazê-lo
parar de fumar mas para fazê-lo querer parar. Uma vez não tendo desejo de fumar, você não sentirá
necessidade de "aprender" novamente o hábito. Estar ao pé de outros que fumam não o fará desejar um
cigarro (provavelmente começará incomodando você).
Para além disso, não conseguirá facilmente pegar em um cigarro e regressar a seu velho
hábito. Você estará como se nunca tivesse fumado, a não ser que tenha já provocado danos permanentes.
Mesmo esses têm tendência para se tornarem menos incomodativos com o passar do tempo.
Em poucos dias após deixar de fumar, suas capacidades de respirar e saborear a comida
aumentarão significativamente. Não terá desejos de comida fora da fome normal nem desejará qualquer
outro substituto para o cigarro. Dormirá muito melhor e acordará com mais facilidade, necessitando
de muito menos tempo de sono para atingir o descanso de que necessita. Seus dentes ficarão mais
limpos e seu hálito e odor corporal serão muito menos intensos.
Uma vez que tenha deixado de ingerir doses pequenas mas constantes de dezesseis(!)
produtos químicos tóxicos encontrados no fumo do cigarro, várias centenas de vezes por dia
(cada trago sendo uma dose), você descobrirá que sua qualidade de vida geral será largamente
melhorada!
Em meu caso, a sensação de orgulho e sucesso foi tremenda. Minha auto-estima cresceu
imenso depois de ter a cereteza de que tinha derrotado a "erva malvada" de uma vez por
todas. Eu fiz isso e você também o pode fazer. Siga apenas os passos simples deste livro e seu
resultado será igual ao meu.
Não tenho qualquer desejo de fumar. Sinto pena daqueles que, não querendo realmente fumar,
são impelidos a fazê-lo por qualquer forma.

O primeiro passo para desmantelar seu hábito é olhar para ele com olhos de ver. Quando
alguém me pede ajuda para deixar de fumar, a primeira coisa que faço é lhe perguntar quantos
cigarros fuma por dia. A resposta é invariavelmente "um maço" ou "maço e meio".
Esta é uma descrição típica de um hábito. "Um maço" é uma unidade. Um hábito é uma série de
comportamentos integrados, interdependentes, executados numa seqüência e pensados como uma unidade,
tal como "dirigir" ou "jogar golfe". Ambos esses comportamentos requerem dezenas de
comportamentos individuais separados.
Quando essa pessoa me diz que fuma entre um maço e um maço e meio por dia, eu entendo
tratar-se de entre 20 e 30 cigarros por dia. O que essa pessoa não sabe, pelo menos conscientemente,
é que eu estou processando sua resposta interpretando que ela fuma 10 a 15 "tragos" por cigarro,
portanto em meu ponto de vista, fuma entre 200 a 450 vezes por dia. De cada vez que coloca um
cigarro entre os lábios e inspira fumo para seus pulmões, isso é um ato isolado de fumar.
O primeiro passo do processo é simples e lhe dirá imediatamente se está ou não
verdadeiramente preparado para deixar de fumar agora. Se estiver disposto a analisar seu hábito,
então estará provavelmente disposto a alterá-lo primeiro e abandoná-lo depois. No entanto, antes disso
é preciso saber para onde direcionar seu subconsciente. Os detalhes são importantes.
O Passo 1 é contar seus cigarros. Eis como fazê-lo: pegue em um lápis pequeno, no máximo
com o comprimento de um cigarro. Arranje um cartão de visita com as costas em branco. Qualquer papel
servirá mas deverá ser pelo menos tão espesso como os cartões de visita e ligeiramente mais pequeno
do que o maço de tabaco.
Quando abrir seu próximo maço e retirar o primeiro cigarro, escreva uma marca nas costas
do cartão junto a uma letra representando o dia da semana. Depois, enfie o cartão entre o plástico
e o papel do maço e coloque o lápis no local onde estava o cigarro.
De cada vez que você sacar um cigarro, saque também o cartão, faça outra marca e volte a guardá-lo.
No fim da semana, você saberá exatamente como é seu hábito e como ele evoluirá no futuro, se não
fizer nada acerca disso agora!
Simplesmente dando essa atenção a seu hábito, fará você diminuir os cigarros que
fuma. Tenho notado que muitos daqueles fumantes de "um maço por dia" começam a semana fumando entre
15 e 25 por dia mas a acabam em muitos casos com entre 6 e 10 por dia. Dizem que fumam sempre que
querem mas que por vezes preferem deixar o cigarro dentro do pacote, em vez de contá-lo e assinalá-lo.
É deveras formidável!
Não digo que isso acontecerá assim com você; se tal não acontecer, não se preocupe: isso
não afetará o processo nem o tempo que vai demorar a alcançar seu objetivo. Vai demorar o tempo
que for preciso e ponto final! Não há prazos neste método. Prazos colocam demasiada pressão
nas pessoas e este processo não quer pressionar ninguém.
Segundo, não vai ser difícil. A única dificuldade em deixar de fumar é conseguir
resistir à vontade de acender um cigarro. Aqui nunca lhe será pedido que faça isso, que resista.
Você vai poder fumar sempre que tenha a certeza de que é isso mesmo que quer. É contraproducente para este
método tentar resistir ao hábito. O processo é suave e nunca há transições violentas.
Comece assim a primeira semana contando seu hábito e descobrindo quantos cigarros fuma.
Se diz que os sábios conhecem bem seus inimigos; este é um inimigo que vamos matar com gentileza
e o primeiro passo é conhecê-lo.
Não se preocupe em ler mais agora até conseguir responder a essa questão com precisão:
exatamente quantos cigarros fumou nos últimos sete dias? Não tente apenas lembrar-se de
quantos maços comprou e descontar os cigarros que ainda tem. Isso será uma estimativa. Você precisa
do número exato e de marcar os cigarros fumados em seu cartão.
Contar os cigarros que fuma faz mais por seu cérebro do que simplesmente lhe dar um
número. Este primeiro passo não deve ser saltado! Você tem que contar cada cigarro que fuma
e marcá-lo no cartão, para esse processo funcionar. Siga para o Capítulo 2 apenas depois de fazer
isso.