Apesar de para a maioria dos fumantes ser normal achar que hábito e
vício são sinônimos, isso não é verdade. Os dicionários definem "hábito" como sinônimo de "inclinação,
tendência, rotina", ao passo que "vício" quer dizer "fixação, dependência química, obssessão". São definições
bastante diferentes, não acha?
Vejo a diferença como muito mais do que uma pequena variação na interpretação
semântica. Para mim, há uma discrepância grande entre uma inclinação ou tendência e uma fixação ou obssessão.
Definir essas diferenças é a ferramenta principal do processo descrito em meu livro. Saber quanto da sua
vontade de fumar é hábito e quanto é vício será um grande passo para desmantelar e remover ambos de sua vida.
Vamos separá-los dessa forma: o vício é da nicotina. O resto é hábito.
Da minha experiência pessoal e por ter assistido outros nesse campo, sei que o
vício de nicotina, mesmo em um fumador de longa data, é de cerca de 4 cigarros por dia. Uma vez removido o
hábito de fumar, 4 cigarros por dia satisfarão a maioria dos viciados em nicotina.
No entanto, a maioria dos fumadores assume que cada cigarro fumado, cada desejo
de tirar um do pacote e o acender, provém do vício químico. Dizem que têm que "repor os níveis" no sangue. Isso
não é verdade. O hábito/vício dos cigarros é muito mais complexo do que isso.
Quase toda a discussão acerca dos cigarros gira em torno da nicotina, mas pouco
do material que tenho pesquisado discute a forma como as tabaqueiras associaram os cigarros à imagem,
sexualidade e aceitação social do fumante.
Desde o livro de Wilson Key "Sedução Subliminar", de 1974, não encontro qualquer
informação sobre as técnicas subliminares utilizadas pelas tabaqueiras. Não falo apenas de imagens sugestivas
de pessoas felizes mas da palavra "SEXO" embebida, dissimulada nos comerciais, entre outras técnicas.
Essas técnicas, não tendo nada que ver com o vício da droga (nicotina), têm no
entanto um efeito viciante por si mesmas, a níveis psicológicos subconscientes que as tabaqueiras rezam nunca
sejam referidos nos mídia. Apesar de não serem tão viciantes como o vício químico, estas táticas podem por
si só manter muitos fumantes "agarrados", mesmo se não houver nicotina nos cigarros que fumam!
O antigo ditado "só um viciado compreende outro viciado" aplica-se muito bem aos
fumantes. Quem nunca sentiu o pânico de descobrir que é uma da manhã, não tem mais cigarros nem dinheiro
e não há lojas abertas em lado nenhum, não consegue perceber como um fumante se sente nessa situação, quanto
mais conseguir ensinar a alguém como se faz o desejo desaparecer. Se alguém com fome ficar sem bolachinhas em
casa, não vai andar de porta em porta a meio da noite pedindo a seus vizinhos que lhe arranjem algo para trincar
mas um viciado em cigarros é muito bem capaz de fazer isso sem hesitar.
Eu sei porque aconteceu comigo. Eu já estive nessa situação!
Por isso, quando digo que conheço a forma de nos libertarmos deste problema
insidioso, que afecta 500 milhões de pessoas em todo o mundo, quero que saiba que meu método não provém de
nenhuma teoria que me ocorreu de repente ou sobre a qual sonhei. Esse método FUNCIONA MESMO. O usei em
mim próprio com sucesso, conseguindo acabar com meu vício de 16 anos e ajudei milhares de outros a fazer o mesmo.
Alguns dirão "Bem, funcionou com você mas eu sou diferente. Sou mais viciado,
tenho menos força de vontade, não sou tão esperto... é mais difícil para mim". Pode até ser verdade mas só
se essas pessoas quiserem que seja. A única diferença entre essas pessoas e eu é que eu decidi
deixar de fumar e eles não querem na realidade fazê-lo.
Podem até dizer "Claro que quero! Você não faz ideia de quantas vezes tentei e
como isso foi difícil! Se eu pudesse deixar o tabaco agora, o faria imediatamente". Infelizmente, estão
mentindo. Não para você ou para mim mas para quem deveriam ser mais honestos... eles próprios.
Outra diferenciação que devemos fazer é a diferença entre "tentar" e "fazer".
Apesar de ser entendimento comum que o primeiro leva ao segundo, isso apenas é verdade para as primeiras
tentativas. "Tentar" pode se tornar num comportamento em si mesmo, tendo pouco a ver com "fazer".
Enquanto hipnotista certificado há décadas, fiz centenas de demonstrações de
hipnose em espectáculos, bem como muitos seminários de formação para médicos em que falei sobre hipnoterapia clínica.
Um dos testes para provar que alguém está "mergulhado" na hipnose consiste em
fazê-lo juntar suas mãos, entrelaçando os dedos. Depois lhes digo para tentarem separar as mãos mas eles não
conseguem. A sugestão confirmadora (instrução) é "na realidade, quanto mais você tenta, mais descobre que não
consegue. Tentar apenas faz com que as mãos se apertem ainda mais!". Depois de eles terem demonstrado que
de fato não conseguem separar suas mãos, eu lhes digo "agora, quando contar até três, você vai libertar seus
dedos e suas mãos se separarão depressa e com facilidade". Como deve imaginar, resulta sempre.
A questão é esta: na primeira parte do teste, digo aos sujeitos para "tentar",
não para "fazer". Na segunda parte lhes digo exatamente o que devem fazer e eles o fazem. Duas ações
completamente distintas. De igual modo, posso lhe garantir que alguém que ouve dizer estar a "tentar" deixar
de fumar não está empenhado em deixar o tabaco; alguém que está verdadeiramente empenhado nesse processo não
tenta, faz.
Quanto à questão da força de vontade, tenho que dizer que sou uma pessoa algo
preguiçosa. Tento sempre encontrar a "maneira mais fácil". É de minha natureza (tal como deveria ser a
natureza do homem que inventou a roda). Foi, durante muitos anos, um traço de personalidade que me fez sentir
como se não fosse tão bom como os outros. Eu acreditava realmente naquela história de "sem esforço não se
consegue nada". Agora sei que se pode conseguir o que queremos, não só sem sofrimento mas inclusive obtendo
divertimento e alegria enquanto o fazemos.
(A história seguinte é verdadeira e tão detalhada quanto a minha
memória me permite. As minhas desculpas a Charles Tate e a outros membros da família, que possam encontrar
erros em essa descrição).
Num período já tardio de minha vida fiz um amigo chamado George, um homem que
aos 34 anos deixou de trabalhar "no duro" e se tornou "preguiçoso". Deixou seu emprego de 2.400 euros por
mês, sua casa, sua relação de longos anos com uma mulher e ficou praticamente na miséria. Viveu durante
dois anos na garagem de um amigo, dormindo e se deitando "para pensar" numa cama de ferro tipo militar.
Quando ele saiu dessa garagem e alugou um quarto em minha casa, seu negócio
valia mais de 25.000.000 de dólares e ele ganhava mais de um milhão por mês! Cerca de um ano e meio depois,
seu negócio valia 87 milhões e 10 anos depois ele vendeu o pequeno negócio que tinha começado na garagem do
amigo à Borland, por 2,2 bilhões de dólares!
Será que ele era um gênio? Uma vez me disse que o seu QI era de 90. Conforme ele
dizia, "apenas uns pontinhos acima de estúpido!". Claro que não, 90 está na média de QI dos seres humanos
normais.
Tinha educação superior? Não, havia deixado a escola no 10º ano, terminando o
liceu anos depois, quando já era adulto. Não possuía qualquer conhecimento anterior nem formação sobre o
produto que lhe trouxe o sucesso. De fato, George nem sequer aprendeu na totalidade como funcionar
com esse produto convenientemente!
Era aventureiro e fura-vidas? Uma vez me disse que trabalhava cerca de 6 horas
por dia, grande parte delas com as mãos nos bolsos. Em suas próprias palavras, ele era "preguiçoso como um
cão de caça preto!"
Tinha uma figura atraente e um aspecto convincente? Não, tinha peso a mais e era
já um pouco careca. Sua roupa do dia-a-dia era um par de chinelos usados e uma camisa comprida daquelas
compradas em hipermercados, com um bolso cheio de canetas e lápis e várias marcas de
tinta acima do bolso, feitas das vezes em que tinha falhado a pontaria.
Nunca o vi usar paletó e gravata. Ele podia muito bem passar por porteiro de
qualquer edifício em que estivesse. Tinha um charme do tipo Matlock, voz suave de rapaz do campo mas não
tinha qualquer aspecto glamoroso do género estrela de cinema. Parecia ser apenas um tipo normal. De fato, a
não ser pela fortuna que ganhava, era isso que ele era durante praticamente todo o dia.
Tivemos muitas conversas tardias acerca do que ele tinha feito e o que fazia
naquela altura, de como tudo parecia tão fácil. O que ele conseguiu me transmitir foi que tinha simplesmente
"decidido"... ficar rico. Não tinha "tentado" ficar rico. Não tinha "trabalhado" para ficar rico. Como diz a
Nike, Just Do It (faça-o, simplesmente). George simplesmente o fez.
Como? Apenas com seu conhecimento autodidata de computadores (tinha construído
um dos primeiros computadores 8080 da Altair a partir de um kit e imediatamente começou estudando
computadores e a se instruir), George decidiu fazer sua fortuna algures em essa indústria. Iniciou um negócio
de software encomendado por E-mail, chamado "Discount Software", um dos primeiros do género. Começou lendo
revistas de computadores e estudando software para incluir em seu negócio. Um em particular lhe foi altamente
recomendado. Leu uma revista acerca desse programa que um homem havia escrito em casa como hobby. Leu o
artigo várias vezes. Sentiu que estava ali algo de grandioso, que aparentemente mais ninguém havia notado.
Quando finalmente percebeu as implicações e as ramificações que esse programa
podia ter, contatou o programador, com quem se encontrou à hora de almoço em seu local de trabalho.
Escreveram um contrato manuscrito de uma página em uma folha de papel, dando o George o direito exclusivo de
vender o programa. George concordou em pagar ao programador (que tinha aparentemente perdido a confiança no
seu programa, chamado "Vulcan") uma pequena parte de "royalties" (direitos de autor) por cada cópia que fosse
vendida. O programador aceitou facilmente esta proposta. Quando se separaram naquele dia, ele desejou boa
sorte ao George.
O programa passou a se chamar dBASE! Sim, o programa que iniciou a ascensão da
Borland (agora chamada Inprise)!
ACTUALIZAÇÃO: Penso que o dBASE foi recentemente adquirido pela Ksoft, Inc.
O pai das bases de dados dos computadores modernos foi um cara que abandonou a
escola, com praticamente nenhuma instrução em computadores (apesar de ter se auto-educado muito para além do
que aquela educação "formal" lhe poderia alguma vez ter oferecido), um homem de QI médio que se intitulava
preguiçoso. No entanto, alguém que havia se DECIDIDO! Alguém que havia seguido essa decisão com ações.
Por causa desse homem, que havia decidido ficar rico, a IBM se lançou a todo o
vapor na criação de computadores pessoais. Até essa altura, eles não tinham conseguido ver qual a utilidade
que os PC poderiam ter para o público em geral. A decisão e a dedicação que esse homem lhe deu mudaram
drasticamente a forma como o mundo inteiro faz negócios hoje em dia. Seu nome era George Tate. Seu
papagaio se chamava Ashton.
George amava a vida. Ele costumava passear à volta de nossa casa, dizendo
"ninguém tem vida melhor do que a minha!". Parecia muito feliz. Havia encontrado o amor de sua vida,
comprara uma casa de um milhão de dólares junto à praia e juntos tinham uma linda menina.
Quando a criança tinha cerca de 8 meses, a fantasia maravilhosa de George acabou.
Aos 39 anos, com o mundo a seus pés, ele caiu fulminado em sua secretária, de manhã, devido a um ataque de
coração. Nunca havia tido problemas desse tipo. Sabe, George tinha outro amor... cigarros!
A questão é que tudo na vida pode ser controlado pelas decisões, se forem
seguidas de ações. Decisões claras seguidas por ações decisivas. Nos livrarmos de um hábito indesejado,
mesmo de um vício químico, é tão simples como isto: decidir fazê-lo e seguir essa decisão. É simples.
"Mas", diz você, "não pode ser assim tão fácil!"
Eu disse "fácil"? Não, eu disse "SIMPLES".
No entanto, pode ser igualmente bastante fácil. Faça a seguinte analogia: se
tivesse que mover uma montanha, encostaria seu ombro nela e começaria empurrando? Claro que não.
Provavelmente agarraria em uma pá e um carrinho de mão e começaria cavando. Com cada golpe de pá estaria movendo a
montanha. Não estaria "tentando", estaria "fazendo" realmente. É essa importante distinção que é
necessário fazer.
Se você estivesse aqui em Las Vegas e quisesse ir para Los Angeles, daria um
salto desde o Las Vegas Strip e esperaria aterrar em Wilshire Boulevard? Claro que não. Se não houvesse outra
forma de ir, você poria um pé à frente do outro, com os dedos apontando para sudoeste, e começaria andando.
Não estaria "tentando" chegar lá, estaria "indo" para lá. Eventualmente, se continuasse seguindo esse simples
processo, chegaria lá.
Deixar de fumar é o mesmo processo, aplicado a uma jornada diferente.
Meu livro, nomeado para o prémio Pullitzer, detalha o método definitivo, quase
sem esforço, para escapar à erva mais maléfica conhecida do Homem, sem ter NUNCA que enfrentar ou combater
"o terrível desejo de fumar", sem usar pastilhas, adesivos, pílulas ou qualquer dispositivo, tudo por um
custo inferior a 8 pacotes de cigarros ou uma refeição em um bom restaurante. Se você está mesmo decidido a
deixar de fumar e sente que precisa de ajuda, de um manual que o oriente na melhor forma de fazê-lo, aqui
está ele. Compre e o use.
No entanto, compreenda isto: o livro não faz nada, você é que faz. O
"trabalho" é fácil. Primeiro, aprende a desmantelar seu hábito. Depois disso estar feito, a
parte respeitante ao vício é muito mais fácil! Para além disso, você pode fumar sempre que quiser
... sempre que realmente quiser... enquanto segue o método.
Difícil de acreditar, não é? Lhe digo-lhe isto: até ao dia de hoje, sei que
posso fumar sempre que desejar fazê-lo; o tabaco está disponível em toda parte. Só que desde 2 de Janeiro de
1979, cerca das 10 da manhã, não me apetece fumar, portanto desde esse dia que não o faço. É verdade!
Se você sinceramente cumprir o método durante um ano e ainda estiver fumando,
lhe devolveremos seu dinheiro!
Mark Whalen, Presidente da
PresMark Publishing Co.
"Como Deixar de Fumar
Sem Força de Vontade ou Sofrimento"